Havia estado pelo resto da tarde com aquela queimação no estômago. Tinha a certeza que nenhum homem prestava, que odiava todos. Mesmo que naquele instante pensava em trepar com o primeiro que aparecesse na sua frente. Era mais por honra que por prazer.
"Maldito Carlos Augusto!" pensava enquanto esperava o sinal abrir. "E ainda chove e eu vestida de branco. Que ódio do mundo". Chovia mas estava muito calor, muito abafado. E ainda mais após o que ela viu, o ar era denso e difícil de passar pelas suas narinas. O sinal continuava vermelho, assim como a cor do lençol de cetim que estava na cama hoje pela manhã. O lençol que usamos pela primeira vez, na nossa primeira noite de casados. E ele ainda dizia que o fato de transar só depois do casamento deixava ele louco. E ela sabia como fazer, ela era uma mulher caralho! Mas perdeu em meio aos inpumeros processos de seus escritório que tomavam as suas noites.
Mas mesmo assim, ele não tinha o direito. Ainda mais no lençol da nossa primeira noite. Os homens são todos iguais, insensíveis, nojentos e não se lembram de detalhes. Datas, momentos, nada, tudo passa desapercebido. E ainda mais com uma menina. Uma putinha adolescente, dessas que seduzem homens mais velhos casados nas piscinas do condomínio e se mostram passivas e imaturas, e eles adoram exercer o seu papel de maxo dominador, e ter a sensação de ser o primeiro, a abrir caminhos. Essas putinhas... Devem dar mais que muita mulher de 30 anos. Homem é tudo burro. "Ahhh maldito carlos Augusto, maldita putinha do 508, maldito lençol de cetim, maldito sinal!".
E ela ainda, coitada, havia se preocupado em fazer uma surpresa. Achava seu marido um tanto carente nesses últimos dias. E ela, atolada em trabalho, sem poder ao menos dar atenção para ele. "E eu ainda me sentia culpada!".
Preparou tudo no dia anterior. Saiu mais cedo do escritório, cancelou 3 clientes. 3 clientes importantes, mas nada poderia ser mais importante que o homem que ela amava. Comprou vinho francês, como daquela primeira vez que ele a levou em um restaurante. "Vinho francês tem sabor eterno, como o de um amor verdadeiro". Subiu o elevador, abriu a porta do apartamento devagar. Ninguém na sala deserta. Um barulho no quarto. Ela vai calmamente para não ser notada. Queria fazer uma surpresa, e pelo espelho ela vê. A putinha que deve ter no máximo 15 anos, chupando seu marido, que enloquecido segurava a cabeça da pequena ninfa e metia, metia, metia, até ela perder o fôlego. E ela ria, gostava a putinha. Então ela fica de quatro e pede: "Faz gostoso como tu faz com a tiazona que tu é casado". "Tiazona?"... Tudo bem, era uma menina, ele um homem... Homem tem dessas coisas. São todos uns otários sexuados. Mas tiazona?! Aquilo tinha doido, foi como uma facada no estomago, com várias estocadas ardidas, enquanto o seu marido estocava na vadiazinha do 508. Saiu dali transtornada. Xingou todos seus estagiários. Fumou compusivamente, a tarde toda. Pensou em comprar uma arma. Pensou em fazer uma plástica, mas ela só tinha 28 anos. Nem 30! E o que uma putinha vem dizer que ela era tiazona? Tiazona, tiazona, tiazona... ecoou no seu ouvido a tarde toda.
Ao sair do escritório, um garotinho pediu dinheiro: "Tia, dinheiro pra mim comê". Sem pensar ela para e olha o projeto de gente, sujo e ranhento: "Tia é a puta que te pariu e que tá se encaxanssando e dando o rabo numa hora dessas. Tia é a puta que te pariu. Que tu, o Carlos Alberto, a putinha do 508, a tua mãe morram todos de fome!". "Ela morreu de fome". Seu estômago já estava retalhado e sentiu mais uma estocada. Do estômago ao peito. Tirou 10 reais da carteira, botou novamente. Tirou 50 e deu ao menino. Riu encomodada "Desculpa, eu não tenho troco, fica com 50". O menino riu. "Brigado tia". Ela respirou fundo e seguiu até o seu carro.
Essa cidade, cheia, abafada, chovendo. E eu voltando pro apartamento. Pra minha cama, com o meu lençol vermelho. Com o cheiro da xoxotinha quase virginal daquela putinha. A vadiazinha ainda ficava de 4. Só tive coragem de dar de 4, quando ele me pediu, um ano depois de casados. Mas ele nunca reclamou, até elogiava. Dizia que eu era uma vadia na cama, e aquilo era bom. mas por que outra meu Deus? E logo na minha cama, no meu lençol vermelho. E ainda uma putinha que não sabe nada da vida!
O Carlos Alberto, a putinha, a cliente que havia cortado o bico do seio da amante do marido, o mendiguinho, o trânsito parado. E aquelas estocadas no estômago. E ela ainda indo pra casa. Era preciso fazer alguma coisa. Beber, beber talvez seja a solução.
Era um bar vazio, muito charmoso. Escuro, perfeito. Assim ninguém veria a sua cara de tiazona. Nem de mulher trocada por uma putinha de 15 anos. Sentou em uma mesa perto da porta. O garçom se aproxima, ela não quer ninguém por perto e logo diz: "Um vinho branco francês, o mais caro que tu tiver, e um maço de Marlboro Light". O garçom volto logo após. Serve e ela bebe num gole só. Ele serve outra taça, ela ascende um cigarro. O som de um piano e uma voz cantando em francês ecoa no ambiente. O celular toca. Carlos Alberto. Ela não atende. Toca de novo. Ela não atende.Ela bebe. A música empreguina no vinho e ela tem a sensação de estar bebendo a música. Ela começa a ouvir de novo na sua cabeça "tiazona"... O telefone toca de novo. Ela não atende. Um homem que estava sentado no bar pegunta: "Não vai atender?". "Não pretendo, te incomoda?". "Não, tu deve ter seus motivos. Quer conversar?". "E por que eu deveria?". "Eu quero". Ele levanta-se e senta na mesa junto dela. Ele era bastante bonito. Bastante mesmo. Era o destino conspirando a favor dela pela primeira vez depois de um dia maldito. "Vinho francês?" perguntou ele. "Sim", ela respondeu. "Gosto eterno como um amor verdadeiro". Ela sorri. Realmente, era o destino a favor dela. O homem pra quem ela precisava dar. Uma mulher realizada, é uma mulher vingada.
"Desculpa, eu nem me apresentei. Francisco". Pensou rápido em um nome, um nome que deixasse ele de pau duro. Regina, virginal demais. Camila, puro demais. Maria, comum demais, Shaiane, Rochelly, vulgar e puta demais. Decidiu por Amanda, que é um beijo nos próprios lábios quando se pronuncia. E disse: "Amanda" e bebeu um gole de vinho.
Conversaram, beberam. Ela por ter sido traido com uma putinha de 15 anos no máximo, e ele por ter lembrado de uma pessoa. Na verdade ele não lembrou, nunca esqueceu, "é diferente", dizia ele. Ela havia ficado curiosa, com a história. Ele contava que fazia anos. Ela tentava extrair a história de todas as formas, mais discretas possíveis. Era uma advogada sabia fazer isso muito bem, aliando a sua curiosidade feminina, estava nas mãos com todos os igredientes. Ele decidiu contar.
"Foi no ensino médio, há muito tempo atrás. Uma experiência única. O único amor que eu tive. Erámos melhores amigos"... Ele era gay, tinha algum defeito... "Não, antes que você me pergunte, eu não sou gay. Foi uma vez só, a única, e especial. Então, éramos bons amigos, melhores. Acabamos nos envolvendo. Então a amizade acabou e nosso amor se tornou impossível. Por que eu o amava, tanto como ele me amava, mas eu não queria aquilo pra minha vida naquela época. Meus amigos, minha família. E eu machuquei demais essa pessoa. Eu não podia dizer o que ela precisava escutar, que era que eu não a amava, por que não era verdade, e a gente não deve mentor quando ama". "Mas você ainda gosta dele?". "Muito...". "Então?". "Um amor uma vez impossível, é pra sempre impossível. É como esse vinho francês, gom um gosto eterno, mas impossível de guardar para sempre na boca". Houve um momento de silêncio. Ela chorou pela primeira vez no dia. Depois de tudo, foi a primeira vez que chorou no dia. O peito aliviava com as lágrimas. Ela estava envolvida. Chorava por outro homem, na verdade por outros dois, já era uma traição, dupla. "E ele?"... "Ele? Quando a gente tava junto, ele sempre dizia que iria montar uma casinha, uma cabana, em uma praia deserta, e a gente ia se amar, com o por do sol de um dia cinzento, com apenas o barulho do mar, e os Beatles tocando. Ele realizou o nosso sonho, sozinho. Foi até a praia, até a cabana. Colocou os Beatles no som, e tomou uma última garrafa de vinho francês, escrevendo numa carta "assim como você Francisco, o vinho francês. Eterno". Foi a última notícia que tive dele. Ele hoje deve estar no mar, junto com os peixes. Ele sempre dizia que iria morrer no mar, onde tudo começou. Que a vida é como a espuma do mar, por isso a gente deve mergulhar".
Ela chorava, e sentia pena da putinha do 508, pois ela nunca iria entender, ela não era mulher, ela era uma menina. Ela foi ao banheiro e quando voltou havia apenas um bilhete na mesa.
"O amor é um punhal de dois gumes: Não amar é sofrer, amar é sofrer mais".
Chegou em casa, o marido jah dormia sobre os leçõis veirmelhos de cetim. Tirou a roupa e acordou o marido. "De quatro, como com a putinha do 508".
Pablo Damian
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário